Gymboree em Portugal: a história, a filosofia, o que fica
Em 2006, numa feira de franchising em Paris, um português à procura do seu próximo passo profissional encontrou um stand com um nome estranho e uma ideia simples: que o desenvolvimento de uma criança nos primeiros anos de vida se constrói a brincar, com os pais ao lado, não à distância. Nuno Simões acabara de ser pai pela primeira vez. Um ano depois, em março de 2007, abria a primeira sala Gymboree em Portugal.
O Gymboree chegou a Portugal em março de 2007, trazido por Nuno Simões depois de conhecer a marca numa feira de franchising em Paris, no ano em que o seu primeiro filho nasceu. Foi o início de quase duas décadas de programas de desenvolvimento infantil no país.
Quase vinte anos depois, a marca está a terminar a sua operação em Portugal — uma transição de marca com prazo em outubro de 2026. Vale a pena parar um momento e contar esta história como ela foi, antes de se tornar só mais um nome que desaparece.
De uma sala em Lisboa a mais de 2.000 crianças por semana
O crescimento não foi imediato nem fácil — poucos negócios de “levar os pais a brincar com os filhos, a pagar por isso” são fáceis nos primeiros anos. Mas cresceu. Numa entrevista à PME Magazine em 2016, Nuno Simões descrevia já uma rede com duas unidades próprias — Parque das Nações e Amadora — e oito franquias espalhadas pelo país: Porto, Leiria, Telheiras, Carnaxide, Montijo, Loulé, Portimão e Funchal. Mais tarde chegariam Cascais e Aveiro, além de programas “On the Go” levados diretamente às escolas e infantários.
No pico da sua operação em Portugal, o Gymboree teve mais de 10 unidades — em Lisboa, Porto, Leiria, Telheiras, Carnaxide, Montijo, Loulé, Portimão, Funchal, Cascais e Aveiro — além de programas móveis nas escolas, com mais de 2.000 crianças a frequentar aulas semanalmente.
Na mesma entrevista, Nuno descrevia o que procurava num franchisado: alguém “apaixonado pela parentalidade e pelo desenvolvimento infantil”, motivado por resultados, com “pensamento macro e ambicioso” e capacidade de liderança. E resumia a metodologia numa frase que continua a fazer sentido hoje: uma “parceria com pais, médicos, psicólogos e professores”, construída sobre o “respeito ao ritmo das crianças” — não o ritmo que os adultos gostariam que as crianças tivessem.
A filosofia: brincar a sério
A ideia central nunca foi complicada. Nos primeiros anos de vida, o cérebro de uma criança forma ligações neurais a um ritmo que nunca mais vai repetir — e a brincadeira, com intenção e com um adulto por perto, é o motor desse processo. Não é sobre “aulas” no sentido escolar do termo. É sobre criar, semana após semana, pequenos momentos de descoberta partilhada entre pais e filhos: uma canção nova, um objeto por explorar, um desafio motor à medida da idade.
Essa filosofia atravessou duas décadas sem precisar de se reinventar, porque assentava em ciência que também não mudou: desenvolvimento motor, linguagem, regulação emocional, e a ideia simples de que um bebé de 6 meses e uma criança de 4 anos não precisam do mesmo tipo de estímulo — precisam do estímulo certo para a fase em que estão.
As vozes que passaram por aqui
Ao longo dos anos, o Gymboree Portugal não ficou fechado sobre si próprio. O podcast “Dicionário das Crianças”, criado e conduzido por Nuno Simões, reuniu mais de vinte convidados a falar sobre desenvolvimento infantil e parentalidade — nomes como a pediatra Rita Sousa Gomes, a psicóloga infantil Inês Afonso Marques (que foi também professora Gymboree, e cuja influência continua hoje na formação de novas educadoras), a psicomotricista Rita Palma, a professora premiada Sandra Gonçalves dos Santos, a jornalista Paula Barroso (da Visão Júnior), o atleta olímpico Nuno Frazão a falar sobre parentalidade e alta competição, e a palestrante TEDx Marta Gonzaga.
Não foi por acaso. Fazia parte da mesma ideia: que educar uma criança bem exige uma conversa larga — entre pais, professores, psicólogos, médicos — não um monólogo de marca.
Um testemunho, guardado desde 2010
Em 2010, uma mãe escreveu no blog do Gymboree sobre a decisão de inscrever o filho, Miguel, quase com 3 anos, no programa School Skills. Não foi um testemunho pedido nem revisto por ninguém da equipa — foi uma reflexão pessoal sobre a transição da “parentalidade empenhada” em casa para os primeiros passos de socialização fora dela:
“Foram esses os motivos, e pensando na importância de o preparar com actividades e profissionais especializados que o ajudassem a enfrentar o elementar nível de ensino pré-escolar, que nos levaram a inscrever o Miguel no programa School Skills.”
É esse tipo de decisão — pensada, não impulsiva — que a marca tentou merecer ao longo de quase vinte anos.
O que fica
A marca Gymboree termina em Portugal por razões que nada têm a ver com os pais que a escolheram, os professores que a formaram, ou as crianças que cresceram a brincar nas suas salas. É uma decisão de marca internacional, não um veredicto sobre o que aqui se construiu.
O que continua é o resto: a mesma equipa, a mesma filosofia de desenvolvimento infantil pela brincadeira, os mesmos princípios de parentalidade que sempre foram o coração disto — agora sob o nome PlayLab Academy. Os artigos, os guias e os programas que temos vindo a publicar seguem exatamente a mesma ciência e o mesmo respeito pelo ritmo de cada criança.
Se esta história lhe é familiar — se o seu filho passou por uma destas salas, ou se está agora a começar essa jornada — deixamos aqui o convite para continuar a acompanhar-nos.
Perguntas frequentes
O Gymboree ainda existe em Portugal?
A marca Gymboree está a terminar a sua operação em Portugal, com a transição de marca concluída até outubro de 2026. A mesma equipa, a mesma filosofia e os mesmos programas continuam — agora como PlayLab Academy.
Quando é que o Gymboree chegou a Portugal?
Nuno Simões trouxe o Gymboree para Portugal em março de 2007, depois de conhecer a marca numa feira de franchising em Paris no ano anterior. Foi o início de quase duas décadas de programas de desenvolvimento infantil em Portugal.
Quantas unidades Gymboree existiram em Portugal?
No pico, o Gymboree Portugal teve unidades em Lisboa (2), Porto, Leiria, Telheiras, Carnaxide, Montijo, Loulé, Portimão, Funchal, Cascais e Aveiro, além de programas móveis nas escolas — mais de 2.000 crianças por semana nas aulas.